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Doença do refluxo gastroesofágico

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) acontece quando há um relaxamento inadequado ou incompetência de um músculo chamado esfíncter inferior do esôfago, permitindo que o conteúdo ácido do estômago reflua para o esôfago e provoque sintomas ou lesões neste local. O sintoma mais comum é a chamada pirose, que é a sensação de queimação atrás do peito, que pode se irradiar para as porções superiores do tronco e pescoço. É comum que a mesma se associe à sensação de um gosto ácido na boca. Estes são os sintomas típicos do refluxo, mas podem ocorrer sintomas mais incomuns, como rouquidão, tosse crônica, dor torácica e outros.

Este é um problema de saúde muito comum e capaz de prejudicar significativamente a qualidade de vida daqueles indivíduos que padecem com ele, ainda que felizmente raramente leve a complicações graves que coloquem em risco a vida do paciente.

A investigação e o tratamento da DRGE variam muito de paciente para paciente. Algumas medidas simples de cuidados alimentares podem auxiliar muito no tratamento, como mastigação adequada, ingerindo pequenas porções e evitando a ingestão de grandes quantidades de líquidos durante as refeições. Alguns alimentos sabidamente relaxam o esfíncter inferior do esôfago (ex.: alimentos fritos ou gordurosos chocolate, bebidas alcoólicas, alimentos condimentados) e podem ter seu consumo minimizado. Perda de peso também ajuda muito no controle destes sintomas, assim como parar com o consumo de cigarros!

Caso os sintomas não apresentem melhoria com cuidados gerais de saúde ou sejam detectados os chamados sintomas de alerta (sintomas que aumentam o risco ou sugerem a presença de uma doença orgânica ou complicação da DRGE), o paciente deverá ser investigado com maior rigor através de exames complementares e medicado. Um grande número de boas opções de medicamentos encontra-se disponível no mercado atualmente.

Úlceras pépticas

As úlceras pépticas são pequenas feridas que afetam a mucosa do aparelho digestivo, isto é, a camada de pele que reveste o interior do nosso estômago, do duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado após o estômago, e das demais porções do tubo digestivo. As úlceras que acometem o estômago e o duodeno são as mais comuns e são conjuntamente denominadas de úlceras pépticas, pois em parte o ácido produzido pelo estômago para a digestão dos alimentos contribui para sua gênese.

Elas são muito comuns no dia a dia do médico e manifestam-se de várias maneiras, sendo os sintomas mais comuns a sensação de desconforto na porção mais alta do abdome, que pode ser uma dor propriamente dita e que caracteristicamente melhora com a alimentação. Um dos grandes perigos das úlceras é a ocorrência de sangramentos, que podem apresentar-se sob a forma de vômitos com sangue vivo ou parcialmente digerido, que fica com o aspecto semelhante ao de uma borra de café, ou fezes enegrecidas e de odor muito forte, fato que também sugere a ocorrência de hemorragia recente. Mais raramente as úlceras podem perfurar a parede do órgão, assim levando a quadros graves e que precisam de tratamento de urgência.

Alguns fatores de risco para a ocorrência das úlceras são bem caracterizados: o tabagismo, o consumo de álcool, o uso crônico de medicamentos anti-inflamatórios e, principalmente, a infecção pelo Helicobacter pylori. Leia o texto sobre a importância do Helicobacter pylori e você entenderá porquê. – INSERIR LINK

O diagnóstico das úlceras pépticas na esmagadora maioria das vezes depende de exames complementares para ser feito, sendo a endoscopia digestiva alta o principal deles. Além de visualizar a úlcera, a endoscopia permite a realização de biópsias, que serão analisadas em laboratório para a melhor caracterização da natureza da úlcera e para a pesquisa da presença do Helicobacter pylori.

O tratamento depende da causa da úlcera e de sua apresentação clínica, devendo ser individualizado para cada pessoa. Naqueles pacientes com infecção pelo Helicobacter pylori, o tratamento do mesmo com combinações variadas de medicamentos é importantíssimo para assegurar a cicatrização da úlcera e impedir o surgimento de outras. Caso o uso de anti-inflamatórios seja a causa é importante discutir com seu médico se há real necessidade do uso dos mesmos e se não há medicações alternativas. Outros cuidados, como interrupção do tabagismo e do consumo de álcool, também são fundamentais. Em alguns casos, no entanto, o tratamento pode necessitar procedimentos invasivos, quer sejam eles realizados por meio de endoscopia, quer seja cirurgia.

Má digestão (dispepsia)

Vez por outra somos atacados por mal estar, sensação de empachamento e desconforto na região da boca do estômago. Não raro procuramos médicos, somos virados do avesso e nenhum exame revela anormalidades importantes. Será que há algo de errado com eles ou conosco?

O nome técnico que utilizamos para todos esses sintomas (desconforto na região da boca do estômago, ou epigástrio, sensação de empachamento, sensação de distenção, náuseas/vômitos) é dispepsia, popularmente conhecida como má digestão. Na maioria das vezes estes problemas relacionam-se a:

  • hábitos alimentares inadequados, como o consumo de grandes porções de comida, consumo de alimentos muito pesados e/ou gordurosos, refeições excessivamente tardias;
  • consumo de cigarros;
  • consumo de álcool;
  • estresse físico ou psíquico;
  • sono inadequado;
  • qualidade de vida deteriorada.

Os sintomas dispépticos, no entanto, podem ser a apresentação inicial de doenças mais sérias, como o refluxo gastroesofágico e as úlceras, por exemplo, de modo que se estes sintomas ocorrem com muita frequência é importante passar por uma avaliação médica para descartar um problema mais grave.

A investigação destes sintomas varia muito de um paciente para outro. Alguns indivíduos podem receber o que se chama de um teste terapêutico, que consiste em propor um tratamento durante um período relativamente curto e observar a evolução dos sintomas. Caso melhorem e tanto paciente quanto médico estejam tranquilos, não é necessário seguir adiante. Por outro lado, algunsp acientes devem ser avaliados com combinações diversas de exames complementares a critério do médico.

Caso haja uma causa definida para os sintomas apresentados pelo paciente é importante que ela seja resolvida. Alguns medicamentos podem auxiliar no tratamento, mas algumas medidas são fundamentais para todos os casos:

  • evitar alimentos que sabidamente desencadeiam os sintomas;
  • correção de hábitos alimentares inadequados, como refeições excessivamente volumosas, alimentação rica em alimentos pesados ou gordurosos, refeições próximas do horário de dormir, comer apressadamente ou alimentar-se imediatamente antes de realizar exercícios físicos;
  • evitar cigarros;
  • evitar o consumo de álcool;
  • realizar atividade física regular.

A definição do tipo de investigação necessária e do melhor tratamento depende de uma avaliação médica. Se estes sintomas tem lhe incomodado, procure um gastroenterologista.

Helicobacter Pylori

O Helicobacter pylori (HP) é uma bactéria muitíssimo comum em todo o mundo, estando presente no revestimento interno da maioria dos indivíduos adultos. Sua grande importância reside no fato de que ele é responsável por uma grande parcela das úlceras gástricas, da maioria das úlceras duodenais e de alguns tipos de câncer gástrico.

Seu reconhecimento foi um importantíssimo marco na história da gastroenterologia e levou os pesquisadores australianos Barry Marshall e John Warren a ganharem o prêmio Nobel de fisiologia, um dos mais importantes da área médica, no ano de 2005.

A infecção pelo HP ocorre tipicamente na infância e pode permanecer ao longo de toda a vida do indivíduo sem levar a nenhum problema de saúde. No entanto, cerca de 15% a 20% dos indivíduos portadores desta bactéria desenvolvem sintomas relacionados a uma úlcera ou a outras complicações decorrentes da infecção.

O diagnóstico da presença do HP pode ser feito com testes não invasivos e testes invasivos. Os testes não invasivos incluem o teste respiratório, a sorologia e a pesquisa de antígenos do HP nas fezes. Destes, o mais comum em nosso meio, é o teste respiratório. Dos testes invasivos, o preferencial é a endoscopia, que permite a visualização de lesões provocadas pela bactéria e a coleta de material para a realização do teste da urease e dos exames anátomo-patológicos, que permitem a determinação da presença da bactéria.

A decisão pelo tratamento depende de uma ampla gama de fatores relacionados ao paciente, incluindo seu quadro clínico, sua história familiar e seu desejo de se tratar. Ele é realizado com combinações variáveis de medicamentos para diminuição da acidez do estômago e antibióticos. A escolha dos mesmos depende das características de cada paciente e do conhecimento a respeito da eficácia destes tratamentos no país onde o indivíduo vive.

Síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição digestiva que afeta até 15% dos adultos em algum momento ao longo de sua vida. Trata-se de um distúrbio de natureza funcional, isto é, um problema do funcionamento dos órgãos digestivos, e não provocado por úlceras, estreitamentos ou tumores. Isto é a principal característica que a diferencia de outros problemas como a doença de Crohn, a retocolite ulcerativa, os tumores do intestino e outras doenças digestivas. Embora um grande número de pesquisas seja realizado em todo o mundo ainda não é possível estabelecer qual a real causa destes fenômenos e um tratamento eficaz para todos os tipos.

Os sintomas da SII incluem sensação de distensão do abdome, particularmente após a refeição, cólicas abdominais, diarréia e/ou intestino preso, alterações no aspecto das fezes, entre outros muitos sintomas. É comum que haja uma sobreposição dos sintomas de SII com aqueles decorrentes de outras doenças de natureza funcional, como a cefaléia, a dispepsia, a fibromialgia e outras.

Quando um paciente apresenta estes sintomas é fundamental que ele seja submetido a uma avaliação médica para a detecção de outros problemas que os justifiquem. Conjuntamente aos dados da história clínica e do exame físico, os exames complementares permitirão nortear o tratamento para cada indivíduo.

Alguns fatores sabidamente agravam os sintomas da SII, como o estresse físico psíquico, hábitos alimentares inadequados que incluem refeições muito copiosas ou a ingestão de alimentos ricos em gorduras ou fibras, período pré-menstrual e inadequação do sono. Quando os sintomas são desencadeados por um tipo específico de alimento pode ser que estejamos diante de uma intolerância alimentar, como é o caso da intolerância à lactose.

Para o bom resultado do tratamento, as medidas comportamentais são fundamentais e incluem a redução do estresse, uma dieta adequada evitando alimentos que sirvam como gatilho para os sintomas, atividade física regular e assegurar um sono de boa qualidade. Alguns medicamentos podem ser utilizados para alívio dos sintomas também.

Doenças inflamatórias intestinais

As doenças inflamatórias inestinais são um grupo heterogêneo de doenças que tem como característica comum a ocorrência de inflamação de diferentes porções do tubo digestivo. Não possuem uma causa específica e bem definida, mas acredita-se que devam-se a uma combinação de características genéticas do paciente e de estímulos ambientais variados. As principais representantes deste grupo de doenças que intriga médicos de todo o mundo são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

A doença de Crohn pode envolver qualquer porção do tubo digestivo, desde a boca até o ânus, mas comumente agride principalmente o íleo (a última porção do intestino delgado antes do intestino grosso) e o intestino grosso. A inflamação crônica pode provocar úlceras, estreitamentos e, eventualmente, perfurações do intestino. Esta doença pode também apresentar manifestações em outros órgãos e sistemas que não o aparelho digestivo, como febre, dores nas articulações e outros muitos sintomas.

A retocolite ulcerativa é uma outra forma de doença inflamatória intestinal, que, diferentemente da doença de Crohn, afeta preferencialmente o intestino grosso, geralmente partindo de sua porção final, o canal anal, para as porções mais iniciais do mesmo, como o cólon sigmóide e o transverso. A inflamação crônica pela doença geralmente não leva a estreitamentos a perfurações intestinais, mas faz com que seja comum a presença de extensas úlceras.

As doenças inflamatórias intestinais podem apresentar sintomas variados e por vezes são muito desafiadoras do ponto de vista de diagnóstico. Os sintomas mais comuns incluem diarréia com a presença de muco, pus ou sangue nas fezes, dor abdominal, perda de peso involuntária, dores nas articulações, febre de causa desconhecida, déficit de crescimento nas crianças e anemia.

Infelizmente não há um único sinal ou um único exame que permitam um diagnóstico rápido da doença. Para defini-lo, o médico lança mão de dados da história clínica, do exame físico e de exames complementares, que incluem exames laboratoriais, endoscópicos, de imagem e anátomo-patológicos. O mais importante é que a investigação seja conduzida por um médico experimentado no diagnóstico e no manejo destes pacientes.

As opções terapêuticas para os pacientes são variadas e incluem um amplo espectro de medicamentos, intervenções endoscópicas e cirúrgicas. A escolha por uma ou outra modalidade de tratamento depende das características de cada indivíduo, sua doença e sua preferência. Devem ser debatidas junto ao médico para a melhor escolha.

Doença celíaca

A doença celíaca é uma doença digestiva comum em todo o mundo, inclusive no Brasil. As causas da doença celíaca não estão bem estabelecidas, mas sabe-se que há um importante componente genético para ela. Isto é particularmente verdadeiro quando observa-se que o risco da doença é significativamente mais alto entre aqueles indivíduos que tem um parente de primeiro grau acometido pela doença.

Em indivíduos portadores deste problema, a exposição ao glúten, uma proteína presente no trigo e em outros grãos da família do trigo, leva à produção de auto-anticorpos que agridem o revestimento interno do intestino delgado, a mucosa.

Em condições normais, os anticorpos são uma das principais linhas de defesa do nosso organismo contra agressões externas por infecções por bactérias, vírus, tumores e outros problemas de saúde. Em indivíduos com doenças de natureza auto-imune, como é o caso da doença celíaca, por um mecanismo pouco conhecido, o organismo produz anticorpos contra uma parte dele mesmo. No caso da doença celíaca, a parte que é agredida pelos auto-anticorpos é a mucosa. O principal resultado de sua destruição é a desnutrição, por dificuldade na absorção dos nutrientes. Alguns pacientes podem também apresentar sintomas como distensão e dor abdominal, diarréia, perda de peso involuntária, anemia de causa desconhecida, fadiga, osteoporose, alterações cutâneas, entre outros.

O diagnóstico muitas vezes é feito tardiamente e pode nem ser feito, pois a doença nem sempre tem manifestações claras e típicas. Para a investigação, fazemos uso da pesquisa dos auto-anticorpos e biópsias do intestino delgado obtidas por meio de endoscopia.

Infelizmente o único tratamento é a dieta isenta em glúten. Nenhuma quantidade é aceitável, pois mesmo quantidades mínimas podem provocar a lesão do intestino. O uso de substitutos, como arroz, batata, soja e outros é o ideal. Para todos os pacientes celíacos é fundamental a educação alimentar com profissionais especializados para asseguar uma vida livre das complicações da doenças e uma alimentação sadia e prazerosa.

Câncer do estômago

Também chamado de câncer gástrico, o câncer do estômago é uma doença bastante grave, pois muitas vezes é descoberto já em fases avançadas, quando já há o comprometimento de outros órgãos. Por estes motivos, a sobrevida desta doença ainda é inferior àquela observada para outros tumores, mesmo com o grande avanço nos métodos para diagnóstico e tratamento.

Alguns fatores de risco para o câncer gástrico são bem conhecidos:

  • homens tem esta doença com frequência muito maior que as mulheres;
  • idade acima de 65 anos;
  • ascendência asiática;
  • dietas ricas em alimentos conservados, defumados e salgados;
  • tabagismo;
  • infecção pelo Helicobacter pylori.

Os sintomas são inespecíficos e podem ser confundidos com aqueles de condições menos graves, como a dispepsia, as úlceras pépticas e outros. Os pacientes geralmente relatam dor abdominal, náuseas/vômitos que podem ou não apresentar sangue, sensação de empachamento, perda de apetite e perda ponderal involuntária.

O diagnóstico normalmente depende da realização de endoscopia com biópsias das lesões suspeitas. Exames como tomografia podem dar indícios indiretos da presença destas lesões e servem também para determinar a extensão da doença.

O tratamento para pacientes com doença em fase inicial, considerada localizada, deverá ser cirúrgico, visando a remoção completa da doença. Quando detecta-se um tumor mais avançado, com o acometimento de outros órgãos, a doença é considerada sistêmica, não estando restrita apenas ao estômago, de modo que devemos fazer um tipo de tratamento que vise todo o organismo e geralmente inclui quimio e radioterapia. Alguns procedimentos cirúrgicos podem ser realizados em pacientes com doença avançada para a paliação dos sintomas da doença e para permitir a alimentação.

Nos dias de hoje as técnicas endoscópicas avançaram muito tanto para o diagnóstico de lesões precursoras do câncer gástrico, quanto para o tratamento endoscópico del. Alguns pacientes com lesões pequenas podem ser tratados com segurança por via endoscópica, sem necessidade de cirurgia. A decisão pelo melhor procedimento para cada caso varia de acordo com as características de cada paciente e a disponibilidade local dos recursos.

Câncer do esôfago

O esôfago é uma das primeiras porções do tubo digestivo. É uma estrutura em formato de um tubo, revestida por um tipo especial de músculo cujas contrações auxilia na movimentação do alimento ingerido entre a boca e o estômago. Ele pode ser sede de várias doenças benignas, das quais o refluxo é a principal, mas também de doenças malignas, isto é, cânceres. Os cânceres do esôfago são de dois tipos principais: os carcinomas epidermóides e os adenocarcinomas. No caso dos primeiros, as células que constituem o revestimento interno do esôfago sofrem uma sequência de alterações genéticas que levam ao surgimento do tumor. No segundo tipo, as células diferenciam-se em estruturas semelhantes a glândulas, porém com características típicas de tumores também.

Alguns fatores de risco para o câncer de esôfago são: sexo masculino, idade avançada, tabagismo, alcoolismo, obesidade, dieta inadequada e a presença de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Embora a maioria dos indivíduos que tem DRGE não desenvolva tumores nesta região, sua presença aumenta o risco do surgimento do esôfago de Barrett, uma forma lesão precursora do adenocarcinoma, e, logo, do próprio adenocarcinoma.

Infelizmente é comum que a doença avance até fases avançadas antes de apresentar sintomas. Quando presentes estes incluem dor ou dificuldade para engolir os alimentos, fadiga, pneumonias recorrentes e outros sintomas. O diagnóstico deve ser feito preferencialmente com a endoscopia digestiva alta com realização de biópsias das lesões suspeitas. Exames radiológicos adicionais auxiliam em determinar a extensão da doença e delinear a melhor combinação de métodos para seu tratamento.

Assim como em muitos tumores, o tratamento escolhido dependerá de sua localização e da extensão da doença. O tratamento cirúrgico é o ideal quando o tumor é localizado e restrito ao esôfago. A quimio e a radioterapia também podem ser utilizadas para controle da doença e dos sintomas.

Nos últimos anos, a endoscopia digestiva alta tem incorporado diversas tecnologias que permitem não apenas o diagnóstico mais precoce, como o tratamento curativo e/ou paliativo do câncer de esôfago. Estas incluem o uso de aparelhos sofisticados com uso de técnicas de iluminação e magnificação de imagens inovadoras que identificam lesões que não são visíveis com aparelhos convencionais. Uma vez que estas lesões podem ser descobertas precocemente, caso seja factível, podem ser tratadas por meio da própria endoscopia através de técnicas de ressecção endoscópica, evitando as cirurgias. Para pacientes com doença avançada, a implantação de próteses endoscópicas serve para melhora dos sintomas decorrentes da obstrução do canal alimentar.

Pancreatites

O pâncreas é um órgão de grande importância para o processo de digestão dos alimentos e para a manutenção do bom funcionamento do organismo. Em termos práticos podemos dizer que ele apresenta-se dividido entre duas funções elementares: a produção de enzimas digestivas e a de alguns hormônios. As enzimas digestivas são responsáveis pela degradação das grandes moléculas de carboidratos, proteínas e gorduras em pequenas moléculas capazes de serem absorvidas no intestino delgado. Os hormônios produzidos pelo pâncreas são representados principalmente pela insulina e pelo glucagon, fundamentais para o controle dos níveis de açúcar no sangue entre outras funções. O pâncreas situa-se na porção superior do abdome, atrás do estômago e em íntimo contato com o duodeno, a primeira porção do intestino delgado após o estômago, local onde ele descarrega sua produção de enzimas.

O pâncreas pode ser sede de vários tipos de doenças, entre os quais as pancreatites são o grupo mais importante. Elas se caracterizam por inflamação do pâncreas. São subdividadas em dois tipos principais, as agudas e as crônicas.

As primeiras são doenças imprevisíveis e que provocam a rápida inflamação do pâncreas, levando a dor abdominal de forte intensidade, associada a náuseas e vômitos. É uma condição clínica grave, que necessita de internação em hospital e, muitas vezes, em unidades de terapia intensiva. As pancreatites crônicas possuem natureza um pouco mais previsível do que as formas agudas, pois geralmente o órgão apresenta sinais de uma inflamação crônica nos exames complementares. Os pacientes queixam-se de dor abdominal recorrente, perda de peso e diarréia decorrentes da má digestão, diabetes descompensado e outros problemas.

Alguns fatores de risco para as pancreatites são bem conhecidos. As agudas são causadas por cálculos biliares entre outros problemas de saúde. As formas crônicas são provocadas principalmente por consumo de grandes quantidades de álcool por períodos de tempo muito prolongados. Algumas mutações genéticas também podem ser causa destas doenças em pacientes sem fatores de risco evidentes.

As pancreatites são doenças potencialmente graves e complexas, de modo que se houver suspeita delas, o médico deve ser consultado sem demora. O diagnóstico e o tratamento precoces podem evitar várias de suas complicações.

Câncer do Pâncreas

Poucos tumores são tão complexos quanto o câncer de pâncreas. A localização do pâncreas no organismo, protegido por diversos outros órgãos, a natureza silenciosa da doença e seus sintomas pouco específicos tornam sua detecção precoce muito difícil na maioria dos casos. Desta forma, muitos indivíduos, quando diagnosticados, apresentam doença avançada e o tratamento nem sempre apresenta bons resultados nestas fases.

Os pacientes que apresentam esta doença apresentam sintomas frustros no início, como dor abdominal incaracterística, dor na região lombar, perda de apetite e de peso. Alguns tumores do pâncreas também promovem obstrução do canal responsável pelo escoamento da bile produzida pelo fígado, levando o indivíduo a apresentar-se com icterícia, que é a coloração amarelada da pele e dos olhos. Sintomas indiretos desta obstrução do canal biliar também incluem coceira pelo corpo, diarréia com fezes claras e urina bastante escura, como um café forte.

Para o seu diagnóstico, na maioria das vezes se fazem necessários exames de imagem como tomografia computadorizada e ressonância magnética. Além de identificarem lesões suspeitas, podem fornecer informações adicionais sobre possíveis diagnósticos alternativos e sobre o estadiamento da doença. Se o quadro clínico em conjunto com os achados dos exames de imagem não forem suficientes para um diagnóstico de certeza é preciso que o paciente se submeta à coleta de biópsias, que podem ser obtidas por técnicas pouco invasivas, como a biópsia dirigida por radiologia intervencionista ou a biópsia dirigida por ultrassonografia endoscópica, ou por cirurgia.

Como dito anteriormente, o tratamento do câncer de pâncreas ainda é um grande desafio. Sua localização torna as cirurgias para remoção do tumor particularmente difíceis do ponto de vista técnico, mas atualmente estes são procedimentos de rotina realizados por cirurgiões experientes. A complementação de tratamento com quimioterapia e radioterapia pode ser necessária após a cirurgia ou quando esta não for o tratamento mais adequado pelo estágio da doença. Nas fases mais avançadas da doença o câncer de pâncreas promove muitos sintomas debilitantes, mas um grande número de procedimentos pouco invasivos e cirurgias podem promover a melhora destes sintomas e, logo, da qualidade de vida do paciente.

Esteatose Hepática

A esteatose hepática talvez seja a principal condição médica da hepatologia moderna. No entanto, apesar de sua enorme importância, os exatos mecanismos responsáveis por seu surgimento, sua história natural e seu tratamento ainda não estão bem estabelecidos.

Esteatose é o nome dado para o acúmulo de gordura em um determinado órgão, que, neste caso, vem a ser o fígado. A esteatose hepática, na grande maioria das vezes, está associada ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, presença de componentes da síndrome metabólica ou ao uso de determinados medicamentos que podem provocar este efeito colateral.

O que vem a ser esta tal “síndrome metabólica”? Ela representa um conjunto de anormalidades clínicas e laboratoriais que resultam em risco aumentado de doenças cardiovasculares. Os principais componentes da síndrome são a obesidade centrípeta (que é o acúmulo de gordura na região abdominal, principalmente no interior da cavidade, a chamada gordura visceral), a hipertensão arterial, a resistência à atividade da insulina ou o a alteração dos níveis sanguíneos de glicose e a alteração dos níveis de gorduras no sangue. Em virtude do nítido aumento da frequência com que observamos sobrepeso e obesidade no dia-a-dia, a síndrome metabólica também tem aumentado e, logo, também a esteatose.

Felizmente uma minoria dos portadores desta condição desenvolverá problemas decorrentes da doença do fígado, como a cirrose e o câncer primário de fígado. Uma pequena parcela, no entanto, corre o risco de apresentar doenças mais graves, eventualmente com necessidade de realização de transplante deste órgão para aumento da sobrevida.

Para o diagnóstico desta condição o exame de eleição é a biópsia hepática, uma vez que as técnicas não invasivas não permitem a confirmação deste diagnóstico com plena certeza. No entanto, a biópsia hepática não precisa ser realizada em todos os indivíduos apenas para a confirmação deste diagnóstico. O médico responsável pela condução do caso deve identificar pacientes com maior risco de formas mais graves de doença ou aqueles nos quais um diagnóstico de certeza é essencial para a tomada de decisões a seguir. Outras modalidades menos invasivas para o diagnóstico, como a ultrassonografia de abdome e a ressonância magnética também podem ser de grande auxílio.

O tratamento da esteatose envolve principalmente mudanças do estilo de vida e da dieta que visam a redução do peso e a adoção de um estilo de vida e dieta saudáveis. Alguns medicamentos podem ser utilizados também, mas não se sabe com certeza quais os indivíduos que realmente se beneficiam destes tratamentos e qual seu impacto em longo prazo sobre a evolução da doença. Adicionalmente, caso necessário, pode ser preciso o tratamento dos demais componentes da síndrome metabólica.

Pólipos intestinais

O cólon, ou intestino grosso, é a porção final do intestino. Tem a responsabilidade de realizar a absorção de água presente nas fezes e prepará-las para a eliminação de resíduos alimentares e toxinas de nosso organismo. Seu revestimento interno, a mucosa, pode ser local do crescimento de uma série de lesões de natureza benigna ou maligna. No caso do intestino grosso, essas lesões geralmente adquirem o formato de um pequeno cogumelo ou de uma verruga e são conjuntamente chamadas de pólipos. Os pólipo benignos não apresentam células tumorais, isto é, câncer localizado, enquanto suas formas malignas apresentam células degeneradas em câncer.

Os pólipos intestinais são assintomáticos na maioria das vezes, sendo detectados somente através de exames específicos. Caso removidos através da colonoscopia, váios tumores podem ser tratados em fase precoce, antes de levarem a complicações, sem a necessidade de tratamentos mais radicais, como a cirurgia.

Pacientes com história familiar de pólipos intestinais ou de câncer de intestino, indivíduos sedentários e com dietas ricas em gorduras e pobres em fibras, portadores de doenças inflamatórias intestinais e indivíduos de alguns grupos étnicos muito específicos são considerados os principais candidatos ao desenvolvimento dos pólipos.

Idealmente, os pólipos devem ser detectados e removidos através da colonoscopia. Como não é possível, através da colonoscopia convencional, afirmar que um determinado pólipo é benigno ou maligno, todos os pólipos encontrados durante o exames são removidos e encaminhados para análise por um patologista. Este médico é o profissional responsável por dizer se aquela lesão possui alguma célula maligna ou se se tratava apenas de uma lesão benigna. Na maioria das vezes, quando um câncer é encontrado em um pólipo, a remoção endoscópica é considerada curativa e não há necessidade de tratamentos adicionais. Todavia, alguns pacientes podem ter lesões cuja remoção completa não é possível por via endoscópica ou há dúvidas quanto a isto, podendo fazer-se necessária a realização de procedimentos cirúrgicos para a retirada de parte ou de todo o intestino grosso.

De maneira geral, o rastreamento destas lesões deve iniciar-se a partir dos 50 anos. Caso haja algum fator de risco específico, o rastreamento pode ser iniciado bem mais cedo. Para sua prevenção é fundamental manter uma dieta adequada, rica em fibras, frutas e vegetais frescos, evitando gorduras, além de realizar exercícios físicos regularmente, não fumar e manter um peso corporal adequado.

Câncer do intestino

O câncer do intestino grosso, comumente chamado pelos médicos de câncer colo-retal, é um dos tumores mais comuns em todo o mundo. Infelizmente seus sintomas são poucos e muitas vezes os pacientes só os desenvolvem quando a doença encontra-se avançada e com comprometimento de outros órgãos. Por outro lado, este é um dos tumores cuja evolução é mais conhecida e previsível, de modo que se adotado um programa de rastreamento e detecção precoce, o tratamento curativo é possível na maioria das vezes sem a necessidade de cirurgias, quimioterapia ou radioterapia.

Os principais indivíduos sob risco de desenvolver o câncer do intestino são aqueles com mais de 50 anos. Este risco é especialmente maior se um de seus familiares de primeiro grau (pais ou irmãos) tiver tido esta doença em algum momento. O sedentarismo, o tabagismo, uma dieta rica em gorduras e pobre em fibras também são fatores de risco. Algumas doenças mais raras, como algumas doenças genéticas e as doenças inflamatórias intestinais, aumentam o risco desta doença em indivíduos mais jovens também.

O rastreamento do câncer de intestino pode ser feito com um grande número de métodos. O melhor deles é a colonoscopia, pois permite não apenas a identificação dos pólipos, mas também sua remoção. Ocasionalmente ela pode ser substituída pela retossigmoidoscopia. Outros exames, como as radiografias contrastadas do intestino grosso, a colonoscopia virtual e a pesquisa de sangue oculto nas fezes também podem ser utilizados.

Cirrose

Cirrose é o nome dado para um conjunto de anormalidades decorrentes de doenças crônicas do fígado, que levam à gradual substituição do tecido sadio do fígado por áreas de fibrose, cicatrizes, tornando o fígado, um órgão habitualmente de consistência firme-elástica e superfície lisa, em uma estrutura endurecida e de superfície irregular.

Em virtude da importância do fígado para o bom funcionamento de todo o organismo, a cirrose é uma doença que não se restringe ao próprio órgão, mas traz manifestações por todo o organismo. Estas manifestações, no entanto, não surgem em todos os indivíduos. A cirrose pode estar presente por anos sem que o paciente apresente quaisquer manifestações típicas da doença, mas, quando manifesta-se, geralmente traz sintomas graves e debilitantes, que motivam a internação hospitalar e, eventualmente, a necessidade do transplante de fígado. Nas fases mais avançadas da doença, os pacientes podem apresentar como sintomas:

  • Icterícia, que é a coloração amarelada da pele e dos olhos;
  • Ascite, que é o acúmulo de água no interior do abdome;
  • Hemorragias digestivas;
  • Confusão mental;
  • Infecções;
  • Fadiga;
  • Inapetência;
  • Emagrecimento involuntário.

Na maioria dos casos, a cirrose é provocada pelo consumo excessivo e prolongado de álcool, infecções pelas hepatites B ou C e, mais raramente, por um grande número de outras doenças. Assim sendo, é possível que o indivíduo desenvolva cirrose sem nunca ter colocado uma gota de álcool na boca! Para sua prevenção é fundamental um estilo de vida sadio, com consumo sadio de bebidas alcóolicas, atividade física regular, evitar a obesidade e realizar exames para diagnóstico de outras doenças do fígado como as hepatites virais e a esteatose hepática. É importante ressaltar que o consumo de álcool leva à cirrose quando o indivíduo consome grandes quantidades por um tempo prolongado. De modo geral, para homens estima-se que o consumo de cerca de 40 gramas de álcool ao dia e, para mulheres, 20 gramas ao dia sejam considerados seguros. Isto equivale, para o homem, a 2 latas de cerveja, 1 taça de vinho ou 1 dose de uma bebida destilada ao dia. Para a mulher, metade disto. Para indivíduos que possuem outras doenças do fígado, como a hepatite C, por exemplo, a quantidade de álcool que pode levar à cirrose pode ser bem menor, de modo que geralmente recomenda-se que abstenham-se completamente do uso de álcool.

Como as doenças do fígado são importantes, potencialmente graves e debilitantes, sempre que houver qualquer suspeita, o médico deverá ser consultado, sendo o gastroenterologista o melhor especialista para estabelecer um diagnóstico preciso, definir a gravidade da doença e o tratamento necessário. Hepatologista é aquele gastroenterologista que concentra-se especificamente nas doenças do fígado e também pode auxiliar nesta situação.

Câncer do fígado

O câncer primário do fígado, chamado de hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocelular, é um dos tumores de importância crescente em todo mundo. Contrariamente àquilo que se observa para a maioria dos demais tumores sólidos, o câncer de fígado tem crescido em frequência em todo o mundo e provavelmente se tornará uma das principais causas de morte em decorrência de câncer em todo o planeta.

O principal fator de risco para o desenvolvimento deste tumor é a presença de cirrose hepática. As infecções pelos vírus das hepatites B e C não apenas aumentam o risco do desenvolvimento da cirrose como também predispõe ao risco de desenvolvimento deste tumor. Embora entre os indivíduos com câncer do fígado decorrente da hepatite C a cirrose esteja presente na esmagadora maioria das vezes, o mesmo não ocorre nos portadores de hepatite B. Pacientes com hepatite B crônica podem desenvolver o tumor do fígado mesmo sem terem cirrose.

Outros fatores de risco incluem o sexo masculino, o uso de medicações específicas, o uso de hormônios anabolizantes, a ingestão de alimentos contamidados com aflatoxina, uma toxina produzida por um fungo que pode ser encontrada principalmente em cereais armazenados, entre outros muitos fatores de risco.

Para o seu diagnóstico, indivíduos com fatores de risco devem ser submetidos periodicamente à realização de exames laboratoriais e de imagem, sendo a ultrassonografia a modalidade mais recomendada, pois é relativamente barato, amplamente disponível e não envolve os riscos inerentes à exposição à radiação de exames como a tomografia computadorizada. Na maioria das vezes o câncer do fígado é identificado sob a forma de nódulos no fígado. O ultrassom, no entanto, é considerado um exame de triagem e, quando identificados nódulos suspeitos, são necessários outros exames, que podem ser a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e, eventualmente, a biópsia dirigida do nódulo.

Para o tratamento do câncer de fígado, um grande número de procedimentos pouco invasivos são possíveis, bem como cirurgias para retirar a parte do fígado comprometida, o transplante de fígado, que remove todo o órgão e também o tumor, além de tratamento quimioterápico. A escolha do tratamento apropriado depende de uma série de características do paciente e de seu tumor. É importante que os indivíduos sejam avaliados por gastroenterologistas ou hepatologistas experientes na condução destes casos para o melhor resultado do tratamento.